3 posts tagged “internet”
Yahoo opens its doors to hackers [by Glenn Chapman] Hackers armed with laptop computers, camping tents and dreams of software glory invaded Yahoo during the weekend as the Internet pioneer opened its strategy and its doors to outside developers. [more]
Existe uma anomalia importante na Internet. Ela consiste na enorme concentração de poder nas mãos de uma só empresa, o Google. Na verdade, tudo leva a crer que o Google, ou seus controladores, em nenhum momento sequer sonharam, ou mesmo quiseram dispor de tamanho poder monopolista.
Se apenas dois ou três anos atrás alguém sugerisse que se estava caminhando para a situação atual, todos os especialistas repudiariam a menor possibilidade de que isso viesse a acontecer.
Seria crível, em 2006, que o futuro do moderno Leviathan, a Microsoft, estaria ameaçado pelo bando colorido e quase folclórico de programadores do Google? Alguém acreditaria, em 2005, que o Yahoo! estaria despencando ladeira abaixo, ou que a AOL seria apenas mais uma empresa que perdeu a mão e a clientela?
Ou então que a Web 2.0, a teia de redes sociais, surgiria de um momento para o outro e destruiria a arquitetura rígida nos grandes portais? Ou que o monopólio das grandes empresas jornalísticas cairia por terra, ameaçando a própria sobrevivência de tradicionais e orgulhosos jornais como o New York Times?
Pois isso tudo acabou por acontecer, e em grande medida por causa do estouro da Grande Bolha da Internet, que foi um verdadeiro massacre para as empresas iniciantes de tecnologia, as startups. Quando houve a quebradeira geral, todos se viram à procura de uma saída da catástrofe, e aparentemente apenas o Google se viu em condições de apontá-la: a combinação entre o seu engenho de buscas baseado em spider-robots, de uma eficiência enorme, e um sistema onipresente de publicidade online.
Como uma das pouquíssimas empresas capitalizadas à época do estouro da Bolha, o Google saiu comprando dezenas de empresas. E com elas vieram milhares de cérebros, programadores que ficariam desempregados sem o Google ali para contratá-los. Na verdade, hoje em dia muitas empresas são montadas tendo em vista sua compra pelo Google.
Mas a grande mágica do Google foi a criação de um ambiente de trabalho que atrai pessoas criativas como mel atrai moscas. Horários inexistentes, reuniões reduzidas ao mínimo, liberdade total para inovar e errar, a possibilidade de levar crianças e animais de estimação para a empresa, e por aí vai.
Provavelmente, apenas uma outra grande empresa tem tantas pessoas criativas quanto o Google, a Apple. A Apple também causou um terremoto em outros setores da Internet, ao reinventar o mercado televisivo, cinematográfico e musical com a dupla iPod/iTunes, e o mercado de telefonia com o iPhone.
Essas duas empresas provaram que não basta apenas dispor de uma grande quantidade de capital financeiro. É mais importante ainda dispor de uma grande quantidade de capital humano, e saber como catalizar e liberar essa energia explosiva chamada às vezes de criatividade, outras vezes de inventividade.
Nós vivemos em tempos cada vez mais interessantes, o que virá a seguir?
Um blogger do Mississipi, Bobby Revell, está liderando uma rebelião na blogosfera. Uma rebelião dirigida contra a ‘Google-cultura’, que é a tendência cada vez mais forte em se atrelar o conteúdo dos blogs, e também o seu formato, às necessidades e aos parâmetros do maior mecanismo de busca da Internet.
Segundo Bobby Revell, isso está transformando a blogosfera em um lugar estéril e hostil, onde todos começam a blogar atraídos pela miragem do dinheiro supostamente fácil e abundante dos anunciantes. Segundo ele, bloga-se pela expectativa de dinheiro, muitas vezes imaginária, e pouca gente se preocupa com a construção de redes sociais de amizade e respeito mútuo.
Acho que Revell atingiu um alvo importante. Os blogs nascem e morrem com grande facilidade e velocidade, como todos nós sabemos. Poucas pessoas persistem além dos desapontamentos e das inevitáveis dificuldades iniciais. Em menor número ainda são aqueles que se dedicam a inovar, a buscar novos caminhos e nichos. Apenas um número mínimo de bloggers consegue algum resultado financeiro a partir de seus blogs.
Quase ninguém se preocupa com as questões éticas geradas pelo acesso à Internet. Um blogger tem, hoje, a possibilidade de atrair e influenciar mais leitores que os grandes barões da imprensa de papel do passado recente. A influência sobre o público gera um poder considerável, e muitos não têm quaisquer condições de exercer esse poder de forma responsável.
O que fazer?
A resposta de Bobby Revell: escrever pelo prazer de montar sentenças, de alinhavar idéias, de construir amizade duradoura. Escrever pela qualidade de vida que isso gera, e não pela busca insana de visibilidade na indexação pouco transparente do Google. A possibilidade de gerar lucro, então, deriva da qualidade humana, ética e técnica da escrita; a qualidade não nascerá espontâneamente a partir de espertos truques de popularidade que enganem os Googlebots.
Daí nasceu a idéia do The Blogging For Friendship Writing Project . ☺