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Wikipedia perto do fim?
A Wikipedia se firmou como uma das principais fontes de referência disponíveis na Web, mas pode ser que o seu atual modelo de gestão esteja se aproximando do final.
Uma guerra secreta entre duas facções se desenvolve há bastante tempo na Wikipedia central, nos Estados Unidos, mas até agora era conhecida apenas por aqueles diretamente envolvidos no debate e por mais alguns poucos observadores.
Agora o conflito se agravou a tal ponto que está sendo notado, nos Estados Unidos e na Europa, até mesmo pela grande imprensa, geralmente a última a perceber e compreender as rápidas mudanças da Internet, e também o seu significado.
As duas facções em luta são a dos Deletadores e a dos Inclusionistas.
Os Deletadores são a nova geração de wikipedistas, geralmente na faixa dos vinte e trinta anos. Eles defendem a idéia de que a elite dirigente [aproximadamente mil pessoas] deve ter maior controle sobre o conteúdo da Wikipedia.
Os Deletadores receberam esse nome por parte da velha geração de fundadores da enciclopédia por que eles costumam deletar sumariamente qualquer conteúdo que não lhes pareça merecer um verbete, ou mesmo os verbetes que não concordem com suas visões políticas e sociais. Pelo que se diz, os Deletadores têm simpatias ou mesmo vínculos formais com o Partido Democrata e grupos da esquerda radical dos Estados Unidos.
Os Inclusionistas, supostamente apolíticos, são os fundadores originais da Wikipedia. Eles são de uma geração anterior, na faixa dos quarenta e cinqüenta anos. Pertencem à segunda geração de geeks, sucessores daquela que criou a Internet, a Web, o eMail, e que colaborou no desenvolvimento de tudo aquilo que conhecemos hoje no mundo da computação, como sistemas operacionais e pacotes de software científico, de produtividade e de gestão.
Para os Inclusionistas, a Wikipedia deve se manter fiel às suas idéias originais, e permitir que usuários comuns, como nós, incluam os verbetes que lhes pareçam mais relevantes. Eles vêm a Wikipedia mais como uma ferramenta potencializadora de negócios para os ramos lucrativos do complexo, e não como ferramenta de ação política.
Os Inclusionistas defendem a idéia de que não se deve restringir ou impedir a criação de verbetes, mas que apenas se deve gerenciar o seu conteúdo, de forma a depurar erros acidentais [derivados de informação de má qualidade] ou intencionais [derivados de parcialidade ou má fé].
Os Deletadores acham que as elites dirigentes da Wikipedia devem ter poder de veto não apenas sobre o conteúdo, mas também sobre a mera existência dos verbetes. Eles costumam deletar rapidamente [disso deriva seu nome], às vezes em minutos, qualquer entrada que lhes pareça indevida.
Na verdade, é um debate entre a visão de que a enciclopédia deve ser universalmente aberta e apolítica, e a de que ela deve ser uma enciclopédia monitorada de perto pela camada dirigente, e que esteja a serviço de causas políticas e comportamentais.
Esse debate se aqueceu a tal ponto, dois anos atrás, que os wikipedistas identificados com as causas cristãs ou politicamente conservadoras se retiraram totalmente da Wikipedia e fundaram uma nova enciclopédia, a Conservapedia, ainda em seus primeiros passos. Isso deixou apenas esquerdistas e centristas no comando da Wikipedia.
Logo a seguir, muitos dos centristas remanescentes também se retiraram, denunciando a instrumentação da Wikipedia pelo grupo envolvido com os aspectos lucrativos do empreendimento. Eles fundaram uma terceira enciclopédia, a que deram o nome de Citizendium.
Parece tratar-se de um fenômeno restrito aos Estados Unidos, no presente momento, que reflete indiretamente o debate político americano, e que é quase completamente ignorada pelos Wikipedistas de outros países, como o Brasil.
Outro ponto que me parece interessante observar é que a cultura brasileira, embora multifacetada, deve muito à matriz cultural carioca, baiana e nordestina. A linha que vai, digamos, do Rio de Janeiro a Belém, é rica em traços culturais que são muito menos cultivados no sul do país. A música, os festivais religiosos, as festas pagãs, são incomparavelmente ricos nessa região. Isso faz com que o tipo de personalidade aceitável seja moldado por um entorno cultural de expansibilidade e sociabilidade extremadas.
Nessa região, traços de caráter como afabilidade, familiaridade, alegria e espontaneidade, são quase que obrigatórios para que uma pessoa possa ser aceita em qualquer meio social. A introversão é mal vista, e pode ser sinal de uma personalidade sobranceira, arrogante, hostil. Nessas condições, a cultura regional sempre exige o desenvolvimento de traços de comportamento que se conformem ao padrão socialmente aceito.
Além disso, mas não menos importante ou verdadeiro, o clima tem o seu papel. Os quatro estados do sul têm invernos muito mais rigorosos, o que faz com que a rua seja menos valorizada que a casa. Ficar em casa à noite e ler não é tão chocante ou anti-social quanto em outras regiões. Os países mais frios do hemisfério norte têm uma cultura de leitura voraz e constante, e talvez esse seja um dos motivos principais.
O surgimento de uma rede de televisão nacional teve um impacto violento sobre a integração e homogeneização das culturas brasileiras. Talvez esse processo tenha começado de forma não muito planejada, mas depois que seus resultados e seu potencial para o mundo dos negócios se tornaram evidentes ele passou a ser.
A única rede nacional de TV foi, por muitos anos, a Globo. Tendo como sede o Rio de Janeiro, foi natural que ela fosse a representante “oficial” da cultura carioca para todo o resto do país. Quando descobriu seu filão de ouro, as novelas, ela passou de usuária de bens culturais para criadora de cultura.
A região dos Reinos Cristãos da Terra Santa está, hoje, dividida estre dois pequenos estados. Israel e Líbano partilham a região defendida pelos cruzados, durante séculos, com ferro, fogo e sangue. Os Reinos Cristãos foram os bastiões defensores da cultura greco-latina no leste do Mediterrâneo.
A maior parte da população da área tinha cultura greco-latina, estabelecida há mais de mil anos pelos conquistadores helênicos de Alexandre Magno, primeiro, e pelas regiões romanas depois. A partir do século oitavo, as tribos dos desertos árabe e africano foram unificadas por Maomé, e imediatamente se lançaram à conquista das terras férteis banhadas pelo Lago Romano.
Os habitantes locais eram basicamente cristãos e judeus, e foram cruentamente submetidos à servidão pelos invasores. Os novos senhores passaram a proibir o acesso dos cristãos a seus lugares sagrados. Matanças foram realizadas de forma indiscriminada para a imposição da palavra do Profeta, e a própria sobrevivência do Cristianismo foi ameaçada.
As Cruzadas foram a resposta dos cristãos europeus ao pedido de socorro das populações locais. Algumas expedições tiveram mais êxito que outras, mas como resultado o Santo Sepulcro foi retomado, e com ele vastas áreas de terra. Os nobres combatentes receberam terras na região, e por seu lado as concederam pelo sistema de vassalagem a cavaleiros comuns e camponeses. Em contrapartida, todos juravam defender a liberdade de culto para os cristãos locais e os peregrinos que demandavam Jerusalém e os locais sagrados.
Parte da terra foi também doada para as ordens de monges combatentes, como os Templários e os Hospitalários. Também ordens monásticas receberam terra para desenvolver, como os Beneditinos. E os eremitas do Monte Carmelo tiveram assegurados seus direitos milenares sobre a montanha de Elias.
É evidente que, mesmo quando os cristãos foram derrotados e expulsos da região, deixaram uma grande descendência semeada por lá. Sempre se imaginou isso, ao menos, mas sem comprovação. Agora veio a prova cabal de que isso realmente aconteceu. Foi realizada uma extensa pesquisa genética envolvendo as populações do entorno do Mediterrâneo, e seus resultados apenas agora começam a vir à luz.
Y-Chromosomal Diversity in Lebanon Is Structured by Recent Historical Events, um dos papers programados para a divulgação do estudo, demonstra que os cristãos libaneses são descendentes diretos de cruzados vindos da Alemanha, da Espanha, de Portugal, e do norte da Itália. Por seu lado, os muçulmanos locais não têm parentesco genético próximo com os cristãos, mas apenas com os árabes ao sul e ao leste do Líbano.
Podemos agora perceber que a limpeza religiosa que as potências árabes promovem há décadas no Líbano, apoiando os grupos terroristas anti-cristãos, anti-israelenses e anti-judeus, é também uma limpeza étnica.
Por que a leitura é um hábito tão estranho à cultura brasileira atual? Não me parece que a velha desculpa de que os livros são muito caros seja explicação suficiente. O preço dos livros é decorrência da falta de procura da mercadoria, não o contrário.
Já houve tempos em que se lia muito mais. E eram tempos em que as livrarias eram muito raras, que os lançamentos eram espaçados e de gosto duvidoso. Isso para não falar de traduções de qualidade discutível. Algumas até mesmo mudavam o sentido das frases ou de histórias inteiras. E os autores brasileiros? Sempre confundindo ser “escritor“ com ser “intelectual“... [argh!]
Mesmo assim, lia-se muito.
A introdução da televisão me parece a resposta. Não o veículo apenas, mas o tipo de desarranjo [desencanto?] que produziu na própria vida diária. Duas tendências foram acentuadas pela TV, o hábito das novelas e a exposição excessiva à música.
As novelas não foram de forma alguma uma criação da TV, elas já existiam no rádio. Aliás, antes do rádio elas floresceram nos jornais do século dezenove. O que as emissoras de televisão conseguiram fazer foi transformá-las em um vício dotado de respeitabilidade. Antes, eram apenas um derivativo, um divertimento inocente. Foram transformadas em algo muito próximo da dependência química.
Da mesma forma, a exposição excessiva e obrigatória à música foi uma potencialização do que já havia no rádio há décadas. Mais ainda que as novelas, a música vai se transformando em uma espécie de muralha que separa as pessoas umas das outras, e que as isola do ambiente em que vivem.
O resultado, em um caso e no outro, foi a morte do silêncio e da leitura.
A falta de pão subsidiado para os pobres causa motins e mortes no Egito. O governo determinou que o Exército passe a produzir pão para distribuição imediata. Há várias décadas que as massas de pobres egípcios têm transportes e parte da alimentação fornecidos abaixo do preço de custo pelo estado. A alternativa seria voltar às selvagens epidemias de fome registradas na própria Bíblia.
Chega-se a ficar quatro horas ou mais nas filas, sob o sol assassino do deserto, para conseguir comprar um pão vindo das padarias estatais, que é vendido a pouco mais que um centavo de real cada. Repetindo: R$ 0.01 cada pão. Ao menos seis pessoas já morreram: duas esfaqueadas enquanto lutavam pelo seu pão, e quatro de insolação.
A compra de trigo no mercado internacional deixaria o Egito dependente dos três grandes produtores: Australia, Estados Unidos ou Rússia. Isso não corresponde aos interesses europeus. Portanto, podemos esperar que os burocratas de Bruxelas passem a fornecer trigo subsidiado [e pago pelos contribuintes europeus] ao governo do Cairo.
Se ainda fosse necessário um monumento à patologia burocrática e politicamente correta do Partido Trabalhista britânico, ele já existe. Rogers Jean-Baptiste nasceu em Santa Lúcia, mas foi cedo para a Inglaterra. Atleta várias vezes premiado, alistou-se no Exército britânico.
Seis meses depois, foi despachado para a guerra no Iraque. Serviu com mérito em Basrah, e foi voluntário para mais um tour. Novamente elogiado e recomendado pelos superiores, foi promovido por merecimento a Lance Corporal.
Deu baixa com distinção, e alistou-se na força policial assim que voltou à Inglaterra. Foi ferido no cumprimento do dever. Anos atrás, ele havia requerido a cidadania britânica. Ela foi negada essa semana.
O motivo alegado pelo Ministério do Interior: no mesmo dia em que ele deu entrada ao pedido, o Exército o despachou para a Alemanha para que ele recebesse a preparação final para o desembarque no Iraque. Como no dia em que assinou o pedido, ele saiu do país, as regras do Ministério foram violadas: ele precisaria ter terminado o dia ainda em território britânico. Ele estava com o uniforme britânico, portando armamento britânico, em uma base britânica. Mas fora da Grã-Bretanha.
Para o Ministério, portanto, ele não merece a cidadania britânica. Magnânimos, os trabalhistas deram-lhe uma nova chance: se ele ainda tiver interesse, poderá esperar até 2011, e candidatar-se novamente.
A resposta de Jean-Baptiste: essa recusa foi a mesma coisa que um tapa na cara.
'Refusal is a slap in the face'
A crise em Darfur continua longe de uma solução. No princípio era um processo de limpeza religiosa movida pela ditadura islâmica contra cristãos e animistas. Agora, transformou-se num processo de limpeza étnica movido contra algumas das tribos que já haviam se convertido ao islamismo.
Os refugiados parecem ser mal recebidos nos países islâmicos, quase todos árabes. Segundo os próprios refugiados, o motivo é claramente o racismo árabe contra os negros. Muitos deles são obrigados a procurar abrigo, suprema ironia, em Israel, onde são bem recebidos e protegidos.
Muitos estão recomeçando suas vidas usando incentivos do governo israelense, e a proteção de associações religiosas judaicas e cristãs. Isso mostra que o conflito árabe-israelense tem nuances nem mesmo suspeitadas pela medíocre imprensa brasileira, e também pela internacional. Apenas na blogosfera circulam informações como essa, prontamente censuradas pelas redações da autodenominada "grande imprensa".
Notícias vindas do coração do império islâmico dão conta de um fenômeno surpreendente. Missionários ocidentais, agindo clandestinamente no Iran, estão convertendo ao Cristianismo um número cada vez maior de muçulmanos xiitas.
Grande parte dos conversos é constituída de jovens de menos de trinta anos. Eles são as principais vítimas do reacionarismo cultural da ditadura dos aiatolás, e anseiam por medidas de liberalização que são prometidas há décadas, mas jamais implementadas.
Desiludidos não somente com seu próprio governo, mas também por uma Europa que prefere manter boas relações com a ditadura, eles passaram a se voltar para as igrejas cristãs. Elas oferecem a eles não somente uma visão de liberdade e modernidade, mas também novas formas de organização. A resistência antiislâmica passou a se organizar em pequenas células, baseadas em grupos de oração e adoração.
O combate ås conversões está em mãos da polícia secreta da teocracia. Mas, cada vez mais, ela é uma força efetiva apenas nas regiões mais rurais e atrasadas do país. As aldeias são controladas com mão-de-ferro pela casta sacerdotal, que impõe as leis emanadas do coração do poder.
O Cristianismo é uma força que assusta a ditadura. Na medida em que ela destruiu os canais tradicionais de representação política parlamentar, toda a resistência hoje é subterrânea. Dessa forma, a oposição não pode ser vigiada e controlada, muito menos exterminada. O problema é maior justamente nas grandes cidades, onde o controle da população é dificílimo.
É justamente no ambiente urbano que o trabalho dos missionários cristão se propaga de forma viral. Fala-se em mais de um milhão de convertidos apenas nos últimos cinco anos. As lideranças islâmicas estão planejando a instituição de julgamentos sumários para o "crime de apostasia". Como é fácil imaginar, a punição sugerida é a pena de morte.
As redes sociais aparentemente se transformaram em uma tendência irreversível. No entanto, ainda está faltando compreender a real profundidade de suas implicações para a privacidade e a segurança de informação. Os serviços que existem hoje, podem simplesmente desaparecer amanhã.
Isso pode ocorrer em meio a um processo de consolidação do mercado, ou devido à obsolescência de certas tecnologias. Pode ser devido a alguma revolução nos meios e processos de estocagem de informação, ou mesmo uma inovação imprevista na tecnologia de transmissão de dados.
Por outro lado, a resiliência das redes de computadores não foi nem de longe testada em uma situação de stress geopolítico real. Poderia ser algo como uma guerra convencional de grandes proporções, ou a ocorrência de sucessivos ataques terroristas de alta intensidade com o uso de bombas radioativas ou biológicas. Poderia até mesmo acontecer que essas ações sejam exclusivamente virtuais, já que é sabido que a China está investindo aceleradamente em sua capacidade de atacar a Rede.
Em qualquer desses cenários, uma quantidade gigantesca de informação será irremediavelmente perdida. Os danos nem mesmo podem ser estimados, pois eles envolverão não apenas a perda de dados comerciais e bancários, mas também o desaparecimento dos próprios registros e memórias de vida de milhões de pessoas. Contatos pessoais e de trabalho; coleções de links, de música, de fotos, de filmes, ou de documentos de todo o tipo.
Uma precaução deveria ser tomada por todos para minizar os riscos: espalhar seus arquivos por um grande número de redes sociais. Isso minimizaria os riscos decorrentes de ataques intencionais, ou de falhas decorrentes de acidentes tecnológicos e de catástrofes naturais.
Alguns exemplos: se suas fotos estão estocadas no Flickr, tenha também uma conta no Photobucket ou no Panoramio; se o seu blog está hospedado no Typepad, mantenha-o também atualizado no Vox ou no LiveJournal; se seus links e históricos de navegação estiverem guardados apenas no Technorati, considere mantê-los também no Ma.gnolia. Até mesmo contas de email devem ser redundantes, desde que mantidas em diferentes servidores.
Qualquer precaução, por maior que seja, ainda é insuficiente. E a tendência é de que os riscos cresçam de forma exponencial.
A idéia de que a sociedade moderna está cada vez mais secularizada é lugar comum disseminado por jornalistas e acadêmicos. Mas é importante notar que a secularização generalizada da sociedade é um fenômeno quase que exclusivamente europeu; e que a de-sacralização dos espaços sociais, embora defendida por muitos e por muito tempo, até hoje foi rejeitada pelo mundo real.
Embora em ditaduras marxistas como China, Coréia do Norte e Cuba, a religião seja duramente reprimida e/ou controlada pelo estado, em muitos países democráticos a situação é bem diferente. Multidões lotam estádios e espaços públicos. A cada evento religioso de massa, é reforçado o laço das multidões com o sagrado.
O principal elemento desses eventos é, em geral, a música. Em torno dela são distribuídos os demais elementos da prática religiosa no espaço público. Da mesma forma a música, religiosa ou secular, é uma mercadoria extremamente valorizada. A indústria musical movimenta enormes volumes de dinheiro em todo o planeta, e a música religiosa já representa uma substancial fatia do mercado global.
Apesar disso, a organização dos festivais religiosos e musicais, muitas vezes, ou é amadorística ou é feita por empresas especializadas em eventos seculares. Isso gera problemas evidentes, pois os públicos que demandam eventos religiosos e seculares são muito diferentes. Na verdade, deve-se lembrar que essa é uma área do Turismo, turismo religioso, que costuma ser relegada a segundo plano.
É possível, mediante algumas generalizações, estabelecer dois tipos-ideais. Deve ser lembrado que uma generalização não esgota a compreensão da realidade. Generalizações nem mesmo têm a pretensão de objetividade, elas apenas são ferramentas úteis para sublinhar certos aspectos, permitindo avançar na construção de bases para a resolução de problemas reais.
Então, quais seriam esses tipos-ideais ?
Tipo 1: Eventos musicais seculares: Os objetivos principais da participação nesse tipo de evento são a estimulação dos sentidos e o estabelecimento de relacionamentos. As pessoas que freqüentam eventos seculares tendem a ser em sua maior parte muito jovens, descompromissados, liberais em termos de comportamento, moral, vestuário. Isso leva diretamente à questão da segurança do evento, pois álcool e drogas são comuns, e a violência física não é rara. Casos de intoxicação e trauma podem requerer socorro médico imediato.
Tipo 2: Eventos musicais religiosos: O que leva as pessoas a eles são a celebração do sagrado e a adoração. Os freqüentadores de eventos religiosos formam um público bem mais heterogêneo. Jovens, adultos e idosos estão indistintamente representados em meio ao público, e é visível a presença de famílias inteiras, o que leva a um elevado número de crianças muito jovens. Os requisitos de segurança policial e médica são menores em número e diferentes em qualidade, e têm muito mais relação com crianças perdidas e atendimento a idosos que com desordem e criminalidade.
Tendo isso em mente, dever-se-ia descobrir quais seriam as oportunidades para a organização profissional de eventos no campo da Religião. O organizador de eventos deveria responder de forma eficiente e criativa às demandas desse mercado tão específico, ao mesmo tempo em que maximizaria a lucratividade de sua empresa.
Para que possa agir de forma eficiente, o empresário de turismo, promotor ou gerenciador de eventos religiosos precisa ter uma visão clara sobre a natureza do fenômeno religioso.