Despenca a circulação de jornais
Ontem ainda, eu escrevia que a situação da imprensa tradicional tem piorado incessantemente, e que esse processo já dura vários anos. Hoje, um despacho da Reuters, citado pelo Blog Herald, dá destaque ao fenômeno, e com um adendo assustador [para a imprensa tradicional]: apenas nos últimos seis meses, os jornais perderam em média mais 3.6% de seus leitores.
Isso pode parecer pouco, mas a essa informação deve ser acrescentada outra ainda pior. A circulação de domingo caiu assustadores 4.5%. Devemos considerar que os domingos representam justamente os dias mais lucrativos para a indústria, na medida em que eles são os dias preferidos pelos anunciantes de imóveis e automóveis.
A fuga de leitores leva automaticamente à fuga de anunciantes, e isso provoca uma sangria desatada nos lucros dos jornais. Através disso se pode perceber o gigantesco impacto da Web/Internet sobre ramos inteiros da economia. Mais que isso: está ocorrendo uma completa reordenação da máquina de poder político, na qual a imprensa tinha até agora um papel fundamental.
Os políticos americanos e canadenses já peceberam isso, e estão cada vez mais lançando mão da Web para atingir seus eleitores. Pudemos perceber isso primeiro pela reeleição do primeiro-ministro de Alberta, Ed Stelmach [Partido Conservador Progressista], que teve toda a grande imprensa contra ele, e favorável ao seu adversário de esquerda. Stelmach realizou uma campanha acirrada através da Web, e que agradou muito aos eleitores. Ele foi reeleito de forma esmagadora.
Em segundo lugar, percebe-se claramente o recuo da candidatura do candidato esquerdista B. Hussein Obama nos Estados Unidos. Hussein Obama e a ala de ultra-esquerda do Partido Democrata, trabalhando incessante dentro das redações dos principais jornais, transformaram sua candidatura em um fenômeno midiático com tinturas messiânicas.
Denunciando a imposição de um pensamento acrítico e altamente emocional ao eleitorado, a aliança chefiada por Hillary Clinton, alijada dos centros de poder partidários e também hostilizada pelos grandes jornais, começou uma acirrada campanha com o uso da Web/Internet.
Dezenas de bloggers independentes ou republicanos, além disso, passaram a esmiuçar o passado sombrio de Hussein Obama e de seus acessores mais íntimos, sabidamente envolvidos com grupos terroristas como os Black Panthers e Weathermen, e com grupos racistas negros como a Nação do Islam. A candidatura Clinton se recupera a cada dia, assim como a candidatura Obama está despencando em grande parte dos estados que ainda não realizaram prévias.
A guerra civil do Partido Democrata tem como efeito colateral a ascenção diária da candidatura republicana de John McCain, que tem como um de seus impulsionadores uma ferramenta singela mas muito efetiva: o blog de sua filha Megan, McCainBlogette, que está atraindo o apoio de cada vez mais jovens para a candidatura republicana.
O desenvolvimento desse processo demonstra a queda cada vez maior da importância dos grandes jornais, seja no Canadá seja nos Estados Unidos, bem como de sua capacidade de formação e de manipulação da opinião pública. O processo está chegando ao Brasil vagarosamente, conforme sugeri ontem, mas tenho certeza que os efeitos serão tão ou mais fortes que nos países do norte.