A geopolítica do aquecimento global - 3
Procurei registrar algumas idéias, nos posts 1 e 2 anteriores, que demonstram a existência de forças cósmicas, infinitamente mais poderosas que a da humanidade, a influenciarem e determinarem a dinâmica climática terrestre. Mas o objetivo dessa pequena série de quatro posts é relacionar o alarmismo climático com interesses geopolíticos definidos.
Não tenho dúvidas de que a histeria ambiental, que não por acaso teve origem na Europa, é uma das principais ferramentas geopolíticas européias em suas ambições expansionistas sobre recursos naturais de que não dispõe, e que lhe fazem tanta falta. O alarmismo climático, e principalmente o próprio Protocolo de Kioto, são instrumentos para tentar retardar o crescimento acelerado de potências que estão muito à frente da União Européia [Estados Unidos, Canadá, Coréia, Japão, e.g.]. Ou então de potências emergentes que possam representar obstáculo aos projetos hegemonistas europeus [Brasil, Austrália, China, Índia, e.g.].
A partir do fim da Guerra Fria houve um completo redesenho das estruturas internacionais de poder. Ao mesmo tempo que o coletivismo soviético morreu, tomou impulso a formação de um novo organismo multinacional, o Império Franco-Alemão. Embora os dois estados centrais tomem todo o cuidado para manter as aparências de uma fictícia "União Européia", a realidade crua é que apenas esses dois países retêm as rédeas do poder real dentro do monstro burocrático de pesadelo em que a Europa se transformou.
Só foi possível a realização desse projeto de unificação autoritária do subcontinente devido à acentuada decadência da Grã-Bretanha, em grande parte promovida de forma intencional pelas sucessivas gestões do Partido Trabalhista. Esse país, outrora a grande potência ocidental, foi entregue de mãos e pés atados à mercê de seus inimigos seculares, França e Alemanha pelos trabalhistas. Aquilo que os exércitos napoleônicos não conseguiram fazer nos séculos dezoito e dezenove, e que os exércitos prussianos não lograram no século vinte, foi feito pelas correntes socialistas do Labour, a partir de dentro: anexar a Grã-Bretanha à Europa, em posição de submissão.
O Império Britânico perdeu bruscamente sua importância mundial a partir da independência da Índia, da mesma forma que o Império Português se tornou mera ficção com a independência do Brasil, mais de um século antes. O mundo da segunda metade do século dezenove, sob a égide britânica, tinha uma única grande potência, era unipolar; e tornou-se bipolar com a ascenção de Estados Unidos e União Soviética a partir do final da Segunda Guerra Mundial. Tripolar, com a ascenção da China, a partir da década 1970.
Com o estabelecimento de um longo período de equilíbrio baseado no terror do holocausto nuclear, conhecido como Guerra Fria, a Europa passou a ser vista como pouco mais que um campo de batalha à disposição das superpotências. Não é de se admirar que as elites do poder européias tenham se agarrado à bóia de salvação criada pelo gaullismo, o estabelecimento paulatino, ao longo de décadas, de uma Europa sem fronteiras, simultaneamente anti-russa e anti-americana.
Depois de isolada e derrotada a Grã-Bretanha, o eixo de poder passou a ser exercida, de maneira formal, pelos estamentos burocráticos entronizados em Bruxelas. Mas o poder real está situado nos dois polos do eixo Paris-Berlim, e todos os países vassalos têm isso bem claro. A não-aceitação dessa realidade geopolítica resultaria na asfixia econômica das nações recalcitrantes.
Para tornar a unificação irreversível, os burocratas do novo Império precisaram quebrar a resistência das classes operárias nacionais, consideradas inassimiláveis ao projeto europeu pelas elites. Fizeram isso importando em massa trabalhadores não-qualificados dos países islâmicos, majoritariamente árabes. Os salários despencaram, lançando as classes operárias européias na pobreza, no desemprego e na dependência do estado de bem-estar social. Em suma, os brancos europeus pobres deixaram de contar como atores de relevo na arena política.
A saída para os trabalhadores especializados europeus tem sido já há vários anos, dez ou mais, a emigração em massa. Segundo estatísticas muito moderadas, a Grã-Bretanha perde cento e cinqüenta mil habitantes por ano para os polos tradicionais de atração, como Austrália, Canadá e Estados Unidos. Ele são substituídos por pelo menos duzentos a trezentos mil imigrantes anuais vindos dos países islâmicos. A Holanda perde oitenta mil para a emigração anualmente, a Alemanha mais de cem mil, e por aí vai.
Ao mesmo tempo, foi promovida uma agressiva revolução cultural anti-cristã, anti-nacionalista e ateísta. Ela foi dirigida de forma a acentuar o sentimento anti-americano nas nações da Europa ocidental, e o sentimento anti-russo nas da Europa oriental; e sobretudo, nas duas regiões, um virulento sentimento anti-sionista e anti-israelense, inoculado pela propaganda das elites encasteladas no estado e na mídia.
A primeira etapa da formação desse Leviatã multinacional foi a criação do Mercado Comum Europeu. A segunda, foi a derrubada das fronteiras entre os estados nacionais e o surgimento formal da União Européia. A terceira, já publicamente anunciada pela dupla Sarkozy-Merkel está em seu início: a implantação das bases da "União Mediterrânea", que unirá todos os estados europeus e árabes em um único, gigantesco organismo estatal multinacional. Daí vem a expressão já popularizada entre muitos analistas políticos: Eurábia.
As lideranças franco-alemãs vêm como principal obstáculo às suas aspirações hegemônicas e expansionistas o estado de Israel. Para elas, o terrorismo islâmico somente existe como resposta à "agressão" antiislâmica de três potência: Israel, Estados Unidos e Rússia. É evidente que a Eurábia [ainda] nada pode fazer contra os Estados Unidos e a Federação Russa. No entanto, ela pode fazer muito contra Israel [e faz].
A mais eficaz arma usada contra Israel é a sustentação, por parte da Eurábia, de bandos terroristas como Fatah, Hamas e Hezbollah. A situação explosiva de Gaza é a maior garantia de que Israel esteja sob incessante pressão, e que seu maior aliado, Estados Unidos, esteja a ser submetido a incessante desgaste internacional. Com a submissão de Israel ou, de preferência, sua destruição, a burocracia européia pode passar à fase seguinte de seu plano.
A Eurábia é muito pobre em recursos naturais, desde que façamos abstração do petróleo dos desertos árabes. Ela não tem condições mínimas, hoje, sequer de alimentar de forma sustentada sua população. A maior parte da produção de alimentos do planeta está concentrada nas mãos de apenas cinco países, nenhum deles europeu ou árabe: Austrália, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Rússia. A única fronteira agrícola ainda disponível fora desse restrito grupo é a África ao sul do Saara.
A Eurábia precisa se apossar com urgência dessa vasta região, antes que a China o faça. A ditadura chinesa vê como de fundamental importância, para sua própria sobrevivência, a capacidade de alimentar adequadamente uma população de um bilhão e duzentas mil pessoas. E ela fixou como viga-mestra de sua política externa para o século XXI a expansão acelerada sobre as terras férteis da savana africana.
Além disso, a China tem uma enorme reserva de recursos minerais à sua disposição, desde que consiga manter a ocupação do Tibet. A Eurábia, por outro lado, precisa importar todos os minérios e metais de que suas indústrias precisam. Novamente, a Eurábia necessita desesperadamente dos recursos minerais africanos. Sua única alternativa é a instalação de governos títeres em um possível Quebec independente, ao norte; e na Amazônia, ao sul. Ou então a invasão militar pura e simples.
Lembremos que a França jamais concedeu independência à Guiana. E também que ela jamais abriu mão de sua reivindicação já secular à margem norte do rio Amazonas, o que compreenderia a expansão de sua soberania sobre o estado brasileiro do Amapá [que já foi colônia francesa, não por acaso]. A úrábia tem grande simpatia pelas FARC e pelo ELN colombianos, e também pelo MST brasileiro, que são vistos como grupos anti-americanos e pró-europeus.