A geopolítica do aquecimento global - 2
O geofísico Milutan Milankovic descobriu e descreveu em detalhe a matemática dos movimentos planetários cíclicos que, combinados à atividade solar, determinam a alternância das idades de calor e de gelo atravessadas pela Terra. Ele propôs a existência de ciclos de cem mil anos de idades glaciais, interrompidos por breves e transitórios períodos de calor. No momento, vivemos no final de um desses períodos transitórios de calor, ao menos matematicamente. Que virá uma nova Idade Glacial de cem mil anos é uma certeza, e não uma possibilidade; acontece apenas que nosso conhecimento atual não nos permite a previsão exata de quando ela começará.
A Idade do Gelo de cem mil anos não é, na verdade, um todo contínuo e homogêneo. Da mesma forma, os períodos intermediários de calor também não o são. Uma grande idade glacial apresenta uma quantidade variável de períodos de aquecimento. Um período de aquecimento também apresenta episódios intercalados de esfriamento. O que se sabe com certeza a respeito de datas de início e fim desses fenômenos é muito pouco, infelizmente. As "pequenas idades do gelo" podem durar séculos, e mesmo assim são muito menos danosas à atividade humana do que as "verdadeiras" Idades do Gelo, aquelas cujos ciclos duram mais de cem mil anos.
O Sol lança quantidades fantásticas de energia em direção à Terra. Eventualmente, essa energia alcança tamanha intensidade que chega a afetar toda a estrutura de comunicações, não raro danificando satélites e ameaçando a vida de astronautas que estejam no espaço naquele momento.
Esses picos de atividade solar são visíveis a partir da Terra, através de telescópios solares, e se apresentam ao observador na forma de manchas solares, que nada mais são que gigantescas labaredas lançadas pela estrela em nossa direção. Quanto mais intensas e ativas as manchas solares, maior se torna a beleza das auroras boreais e austrais.
A atividade das manchas solares é regular e cíclica, portanto grosseiramente previsível. Os geofísicos e astrônomos as chamam de Ciclos de Schwabe. Esses ciclos acontecem em um intervalo médio de onze anos, e são responsáveis por um recente período de esfriamento terrestre que durou de 1940 a 1970. Atualmente, estamos atravessando um período de intensa atividade solar, o que explica a subida de quase um grau centígrado na temperatura média planetária.
É interessante reparar que esses ciclos não começam ou acabam de forma vagarosa. Ao contrário, o início e o final deles ocorrem de forma muito brusca, e muitas vezes absolutamente inesperada. E isso tem os mais variados impactos sobre os negócios humanos, mesmo sobre a Geopolítica.
Um exemplo geopolítico: a Alemanha optou pela invasão da Rússia, na Segunda Guerra Mundial, contando com uma história climática européia de sucessivos invernos muito amenos. O Estado-Maior alemão esperava uma queda rápida da Rússia, ainda no outono; mas mesmo a chegada do inverno não representaria um problema insuperável. Não foi o que aconteceu, pois a atividade solar diminuiu radical e bruscamente. Como resultado disso, as melhores unidades do exército alemão foram totalmente destruídas, pelo frio e pelos contra-ataques russos. A partir daí, a Alemanha não mais recuperou sua plena capacidade bélica, e precisou se conformar a uma guerra defensiva até a derrota final.
Na maior parte do tempo, no entanto, a energia do Sol mantém o planeta suficientemente aquecido para que a vida se mantenha e desenvolva. O calor é mantido no planeta a partir do efeito estufa, que nada mais é que a capacidade da Terra de aprisionar dentro de sua atmosfera e sua hidrosfera parte da energia solar. Sem esse efeito estufa, a vida seria impossível. Não haveria mais uma biosfera, mas apenas uma estéril criosfera, ou esfera de frio. Isso é conhecido como a Hipótese da Terra-Bola-de-Neve: o clima tenderia a esfriar por longos períodos, centenas de milhares de anos, e se tornaria tão gelada que a vida seria impossível.
Tendo tamanha incerteza climática em vista, há países que já estão trabalhando de forma acelerada na preparação de planos de contingência e de defesa civil que tomam como possibilidade real e iminente o começo de um período de esfriamento global, que pode ser uma grande ou pequena idade do gelo. São aqueles países que, por estarem situados em altas latitudes, serão severamente atingidos pela glaciação ou mesmo por qualquer período de simples esfriamento: Rússia, Canadá, Finlândia, Noruega. Esses estados, não por acaso, perdem pouco tempo com o terrorismo climático propagado pela Igreja do Aquecimento Global™.